Para que serve a física quântica, afinal?

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Ainda na década de noventa, trouxe ao Brasil para um congresso o físico quântico indiano que dava aula nos Estados Unidos, Amit Goswami. Ele voltaria a participar de outros eventos que realizei, bem como iria comigo a Machu Picchu, no Peru, em 2015. Amit encontrou conexões muito mais poderosas dentro da física quântica, quando compreendidas à luz da dimensão da espiritualidade, como em suas obras, “Universo Autoconsciente” e a ‘Física da Alma”.

No Brasil, não se falava muito sobre física quântica, e Amit ainda era desconhecido. Mas hoje essa realidade mudou. Com os avanços da ciência, a física quântica se tornou a chave para um novo mundo, uma nova realidade. Assim, conhecer melhor essa área nos aproxima de uma melhor compreensão sobre o nosso futuro.

Ainda que a ciência mais materialista resista, a verdade maior sobre a mudança de paradigma que a física quântica vem proporcionando, é que ela “encurtou a distância” entre a ciência convencional e os conhecimentos espirituais. Mas como assim?

Imagine que tudo que você ouviu até hoje sobre milagres, fenômenos paranormais, universos dimensionais, existência de vida fora da Terra — pela ótica da física quântica, não apenas é perfeitamente possível, mas faz parte de realidades que apenas agora estamos começando a compreender melhor. E muito mais vem por aí.

Isto é possível porque a física quântica vem demostrar que o universo físico e a matéria a nossa volta são apenas parte de algo muito mais amplo e complexo. Enquanto a física clássica se preocupa com o universo material visível, a física quântica vai muito mais além, adentra ao universo subatômico. E lá, o conceito de matéria como a conhecíamos, deixa de existir.

Um dos mais célebres nomes da física quântica é o físico americano David Bohn. Ele é autor de uma das mais importantes obras do século XX nesta área, “A teoria Quântica”. Tenho um raríssimo exemplar em inglês da primeira edição desta obra, lançada 1951. David Bohn influenciou muitos pesquisadores, incluindo místicos.

Uma de suas teorias mais conhecidas é sobre as Ordens poderosas que controlam tudo a nossa volta. Uma primeira seria a Ordem Implicada, que seria a menor, e na qual reside o nosso Universo e tudo que o compõe. Uma segunda Ordem seria a Explicada, maior, e que comandaria a Ordem Menor Implicada.

Essa Ordem maior geraria as regras que comandariam tudo abaixo dela, mas que de onde estamos se torna impossível perceber. Muito além da nossa compreensão, existiriam Hierarquias complexas que influenciariam tudo abaixo delas. Alguém poderia dizer: Mas isso é Deus!

Para a física quântica, tudo está conectado, interligado, e isto é espiritualidade pura. Perceber isto faz com que a nossa visão de mundo mude, que passemos a compreender outras realidades, a entender que a vida vai muito além da morte do corpo físico e que as nossas ações geram reações que um dia retornam para a sua fonte de origem. Para além de tudo isso, existe um propósito a nossa estada neste mundo, muito bem delineado por essas “Ordens” a que se refere David Bohn.

David Bohn também se conectou a temas místicos e espiritualistas. Manteve inúmeros diálogos com o filósofo e autor indiano jiddu krishnamurti, participou da célebre obra da filósofa mística Renée Weber, “Diálogos com Cientistas e Sábios”, entre outras iniciativas que visavam uma compreensão para além da ciência materialista convencional. Alguns desses diálogos são notáveis. (O projeto Obras Raras aqui na Teia do Conhecimento tem um trabalho extenso sobre esses encontros)

Ainda que muitas pessoas se utilizem de forma errada desta nova visão de mundo proporcionada pela física quântica, temos que recordar que a própria ciência também faz a mesma coisa. E faz isso quando tenta se fechar em entendimento sobre outras formas de conhecimento, taxando-as de não científicas. Como se o “selo da ciência oficial” fosse a resposta final a todas as nossas indagações. Nunca foi, e nunca será.

A grande revolução que a física quântica está fazendo é incrível, mas não devemos esquecer que por mais maravilhosas que sejam, estamos apenas arranhando a superfície de algo muito maior e mais poderoso. Até que uma nova e ainda mais poderosa física venha a surgir.

Luz e paz
2016, 19 de Agosto, Curitiba, Brasil

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